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O que é importante saber sobre a Ozonioterapia?

O ozônio é um gás com ação bactericida (contra bactérias), fungicida (contra fungos) e virucida (contra vírus). O ozônio tem como mecanismo de ação inativar bactérias, vírus, fungos, leveduras e protozoários. Sua administração para uso terapêutico – como é o caso no tratamento de feridas – é de baixo custo e de fácil aplicação.

A Ozonioterapia consiste na administração terapêutica do gás ozônio, gerando aumento da oxigenação tecidual e do metabolismo. As concentrações e modo de aplicação variam de acordo com a afecção a ser tratada, já que a concentração de ozônio medicinal determina o efeito biológico e o modo de aplicação relaciona-se à sua ação no organismo.

Na prática da enfermagem o Cofen, Conselho Federal de Enfermagem, em 26/03/2019, aprovou relatório da Comissão de Ozonioterapia, documento que subsidiará a regulamentação do uso da técnica por enfermeiros.

Na prática médica a Ozonioterapia ainda está caracterizada como procedimento experimental, só podendo ser realizada sob protocolos clínicos, assim estabelecido pela Resolução 2.181 de 20 de abril de 2018, do Conselho Federal de Medicina (CFM).

O uso da Ozonioterapia também está prevista entre as práticas integrativas e complementares do Sistema Única de Saúde (SUS). Desde março de 2018, o tratamento já é oferecido na rede pública de saúde gratuitamente a pacientes de odontologia, neurologia e oncologia, quando há recomendação médica e interesse do paciente.

Com diversos usos na medicina e odontologia, a técnica está em expansão na enfermagem, como terapia complementar capaz de auxiliar na cicatrização de feridas extensas e contribuir para evitar amputações, entre outros usos.

Publicações científicas reconhecem evidência forte do benefício do uso do ozônio, podendo ser uma importante opção no tratamento de feridas, trazendo benefícios aos pacientes portadores. A exemplo de outras técnicas, que também passaram por um processo de desenvolvimento, ainda há recomendação de que continuem sendo desenvolvidos mais estudos que apresentem os resultados do uso do ozônio no tratamento de saúde.

Embora ainda em fase de regulamentação e experimental muitos estudos sugerem que a terapia com ozônio pode ter um papel importante no tratamento de feridas crônicas, não curativas ou isquêmicas.

O uso tópico do ozônio é bastante comum no tratamento de lesões, principalmente de feridas, e tem sido descrito na literatura como tecnologia para melhorar o processo de cicatrização pós-cirúrgica e em casos de controle de infecção.

 

No tratamento de feridas:

  • Inativação de bactérias, vírus, fungos, leveduras e protozoários;
  • Estimulação do metabolismo do oxigênio (aumento na quantidade de oxigênio liberado para os tecidos);
  • Ativação do sistema imunológico.

 

Além do tratamento de feridas, há diversas condições clínicas que podem ser beneficiadas, observada a literatura, pelo uso terapêutico do ozônio, como:

  • Doenças arteriais periféricas, coronarianas, AVC e outros distúrbios circulatórios cerebrais;
  • Alzheimer,
  • Sinusite;
  • Retinopatia;
  • Glaucoma;
  • Distúrbios auditivos de origem vascular;
  • Doenças Ortopédicas;
  • Osteoporose;
  • Hepatites;
  • Herpes simples e Herpes Zoster;
  • Fissuras anais
  • Cicatrização Cirúrgica;
  • Controle de Infecção

Há diferentes métodos de aplicação do ozônio, de acordo com a condição clínica que se pretende tratar. Quando o assunto é a aplicação de ozônio em feridas, alguns dos métodos podem ser utilizados isoladamente ou combinados entre si, buscando potencializar o tratamento (no caso de feridas, comumente são utilizados aqueles de aplicação tópica.

 

Entre as formas de aplicação tópica do ozônio em feridas estão:

  • Água ozonizada
  • Sacos plásticos (também conhecidos com bags)
  • Óleo ozonizado
  • Aplicação de ozônio em baixa pressão por meio de campânulas (vaso de vidro)
  • Cateter de aplicação de ozônio
  • Balneoterapia (Hidroterapia)

 

Água ozonizada

É aplicada diretamente na ferida, sendo indicada para tratamentos de infecções locais, úlceras, micoses, herpes, queimaduras superficiais, lavagem de cavidade intra-operatório, problemas oculares, cicatrizes cirúrgicas (em caso de cicatrização primária ou secundária). É utilizada também para alívio da dor, como desinfetante, anti-inflamatório e em cirurgias orais.

O uso da água ozonizada em feridas diminui o tempo de cicatrização por primeira intenção sem causar irritação.

 

Sacos plásticos (também conhecidos com bags)

É geralmente realizado para feridas em membros inferiores ou superiores, pois a localização do membro facilita a instalação da bag, evitando o escape do gás. Nestas aplicações o saco é colocado no membro afetado e conectado ao gerador de ozônio.

De acordo com as concentrações de ozônio definida na conduta, na aplicação com bag se busca:

  • O efeito limpeza da ferida
  • Estimular a cicatrização e a granulação do tecido
  • Obter um efeito microbicida (bactericida, fungicida e viruscida)
  • Efeito estimulante metabólico e imunomodulatório (confere aumento da resposta orgânica contra determinados microorganismos).

 

Óleo ozonizado

Oferece atividade antimicrobiana, de estimulo à cicatrização, podendo ser utilizados no tratamento de longo prazo de ferimentos em geral, queimaduras, infecções locais como micose de pele e unhas. Além disso o óleo ozonizado aumenta a resposta tecidual proliferativa e adaptativa do leito da lesão.

 

Campânulas

Geralmente utilizado em lesões de decúbito e feridas pós-operatórias em locais de difícil fixação de outro método. Este método associa o uso do ozônio à baixa pressão, visando a melhora da circulação sanguínea, oxigenação do tecido, retirada de camadas necróticas, combate à infecção e estimulação das células epiteliais. Há indicação também para redução da dor e odor de feridas.

 

Cateter

O dispositivo cateter é inserido diretamente no leito da lesão ou em fístulas, levando o gás diretamente.

 

Hidroterapia

Este método além de atuar diretamente no tratamento da lesão, possibilita massagem no local afetado – a partir das bolhas de ar geradas – estimulando a circulação sanguínea local.

 

A principal contraindicação é deficiência da enzima Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD), conhecida como favismo, em função do risco de hemólise.

Em casos de hipertireoidismo descompensado, diabetes mellitus descompensado, hipertensão arterial severa descompensada e anemia grave, é necessário que a estabilização clínica dessas situações seja realizada previamente à aplicação da Ozonioterapia.

 

Quando não utilizado em concentrações terapêuticas adequadas e de modo correto o ozônio pode ser tóxico. Por isso é imprescindível que a Ozonioterapia seja realizada por profissional devidamente capacitado ao seu uso e em ambientes apropriados.

A utilização de qualquer recurso terapêutico no tratamento de feridas deve ser precedida de avaliação de um profissional de saúde – médico ou enfermeiro – devidamente habilitado e capacitado. Somente o profissional de saúde pode definir a conduta mais apropriada ao tratamento de uma lesão (Fale com o Cenfe).

 

É importante ressaltar que a Ozonioterapia pode apresentar desvantagens observado o quadro clínico do paciente e as concentrações utilizadas no tratamento. Isto deve ser discutido com o profissional de saúde.

 

* * *

Referências e Fontes:

  • Oliveira, Juliana Trench Ciampone de. Revisão sistemática de literatura sobre o uso terapêutico do ozônio em feridas. / Juliana Trench Ciampone de Oliveira. – São Paulo, 2007.
  • Ozone therapy: A clinical review. A. M. Elvis and J. S. Ekta.
  • Ozone oil promotes wound healing by increasing the migration of fibroblasts via PI3K/Akt/mTOR signaling pathway.
  • Effectiveness of a Short-Term Treatment of Oxygen-Ozone Therapy into Healing in a Posttraumatic Wound.
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