Curativos e Terapias

Conheça quatro tipos de terapias especiais para o tratamento de feridas

Por Gabriella Collodetti | Proativa Comunicação

Você sabia que dentro do tratamento de feridas é possível encontrar diferentes tipos de estratégias para realizar a cicatrização cutânea de maneira rápida e efetiva? O avanço das tecnologias possibilitou um aumento considerável de curativos dentro do mercado de saúde, o que otimizou os resultados e, consequentemente, a qualidade de vida do paciente.

Entre as variedades de tratamentos, há os curativos especiais. Estes conseguem destaque por serem menos dolorosos e por, acima de tudo, promover mais conforto ao paciente. Além disso, as técnicas envolvidas nesse processo possibilitam uma redução nas trocas dos materiais utilizados. Interessante, não é?

O melhor de tudo é que há tanta opção que o paciente se sente confortável em encontrar métodos alternativos para o seu tratamento, desde que, claro, corresponda às necessidades da lesão.

Para entender um pouquinho mais sobre o assunto, separamos alguns curativos que são bastante conhecidos na área de Enfermagem. Quer saber mais? Então vamos lá!

  1. Terapia de laser

Conhecido também como laserterapia, Fototerapia ou Terapia de Fotobiomodulação, o método busca a reparação tecidual com aplicação de laser de baixa intensidade. O processo, além de tudo, é isento de dor e efeitos colaterais.

As feridas que se adequam a esse tipo de tratamento estão relacionadas, normalmente, a lesões contaminadas, necrosadas (dependendo da quantidade de tecido necrosado) e também àquelas que estão em qualquer fase do processo de cicatrização. As úlceras diabéticas e venosas também se adequam ao tratamento com laser por estimular a circulação, fato que é deficitário nessas comorbidades.

É importante frisar que esse método não possui energia capaz de causar danos à pele, o que é benéfico para o paciente.

De modo geral, a estratégia acelera a cicatrização da lesão ao mesmo tempo em que estimula a vascularização local. Com ação analgésica e bactericida, o tratamento não é tóxico e nem mesmo invasivo.

  1. Ácido Hialurônico

O Ácido Hialurônico é formado pelo ácido glucurônico e a N-acetilglicosamina. A junção de ambos contribui para a formação de colágeno e elastina, o que incentiva a regeneração cutânea e promove a hidratação profunda da pele.

A substância pode ser utilizada no tratamento de 14 problemas na pele, entre eles o pé diabético, linfagite bolhosa, herpes, queimadura de 1º e 2º graus, feridas diabéticas e também ictiose. As áreas com ressecção cirúrgica e feridas com formação de tecido de granulação também podem ser tratadas com o ácido.

O interessante por trás de todos os seus benefícios é o ácido possui a capacidade de atrair as moléculas de água para preservar a hidratação local. Além disso, ele também possui ação antisséptica e bactericida.

Entre outras características, podemos citar:

– Recuperação cutânea com rapidez e eficácia;

– Diminuição da dor local;

– Auto degrada o tecido necrótico;

– É classificado como cobertura não aderente, ou seja, não adere ao leito da ferida.

Ah, fique atento: o ácido é contraindicado no caso de feridas com secreções purulentas, viu?

  1. Curativo Hidrocelular e Hidropolímero

Esse tipo de curativo é composto, geralmente, por três camadas sobrepostas, onde a primeira trata-se de uma espuma hidrocelular capaz de absorver fluídos. As outras duas partes do material evitam a agressão aos tecidos no momento da remoção. É indicado para feridas exsudativas que estão em fase de cicatrização, feridas superficiais e com cavidade.

Apesar de serem benéficos para lesões com maiores índices de saída de líquidos, os curativos hidrocelular e hidropolímero possuem algumas limitações, sendo elas:

– Não indicado para feridas infectadas – há curativos com prata que são indicados para lesões infectadas -, com necrose e grande quantidade de exsudato;

– Queimaduras de segundo e terceiro grau;

– Feridas secas.

  1. Curativo com Nitrato de Cério

Com efeito anti-inflamatório e antibacteriano, o nitrato de cério auxilia na redução do tempo de internação dos pacientes lesionados.

Esse tipo de curativo é indicado no caso de queimaduras, úlceras (de perna e por pressão), feridas geradas por pé diabético e feridas traumáticas e cirúrgicas.

Por ser capaz de diminuir a colonização bacteriana, o nitrato de cério auxilia no tratamento de feridas onde há risco de infecção. A apresentação do material pode estar acompanhada de colágeno e com alginato de cálcio, cujo intuito é preservar a umidade do leito da ferida.

Atenção: É importante que você saiba que essas informações não são suficientes para iniciar um tratamento. É necessário a avaliação da lesão e do doente por um profissional.

Não realize auto tratamento. Antes de usar qualquer tipo de curativo, consulte um médico ou enfermeiro dermatologista ou estomaterapeuta, afinal, o uso de curativos deve ser feito sempre sob a supervisão de um profissional

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Importância da antissepsia no cuidado da ferida

Por Victor Gabriel.

Qual a importância de se limpar as feridas?

A limpeza adequada é um dos cuidados mais cruciais no tratamento de feridas. Independentemente do tipo da lesão e do estágio em que se encontra, muitos estudos comprovam a eficiência da antissepsia (higienização) quando comparada à falta da limpeza.

Ao realizar uma limpeza adequada você:

  • reduz a presença de bactérias, vírus e outros agentes patológicos
  • preserva os tecidos da pele
  • favorece a cicatrização; e também
  • ajuda a minimizar eventual dor local

…ou seja, a correta antissepsia da ferida diminui o tempo de tratamento da lesão, impede seu agravamento em alguns casos e até pode reduzir gastos desnecessários com material médico.

“A correta antissepsia da ferida diminui o tempo de tratamento da lesão”.

 

Mas como faço essa limpeza?

Alguns estudos mostram que em casos menos graves, o uso de uma gaze estéril umedecida com soro fisiológico a 0,9% é suficiente para a limpeza da ferida, porém não substitui a avaliação de um profissional. O soro fisiológico é uma solução fácil de ser encontrada em drogarias e farmácias populares.

Para realizar uma limpeza adequada do local lesionado tem de se levar em conta alguns fatores, entre os quais:

  • O tamanho da lesão e sua a profundidade.
  • O tipo da lesão (por exemplo: queimaduras, lesão por pressão, pé diabético, úlcera venosa, feridas cirúrgicas, pós-operatório, etc… .)
  • Observar o sentido de fricção da gaze umedecida durante a limpeza. Deve-se friccionar em sentido único: da parte menos contaminada para a mais contaminada. Caso você não consiga determinar se o local está ou não infeccionado busque orientação de um profissional de saúde (enfermeiro ou médico).

Mesmo realizando a limpeza é imprescindível procurar um profissional de saúde. O enfermeiro ou médico avaliará o local lesionado e indicará a forma mais apropriada de tratamento, além de orientar sobre o manuseio da limpeza local.

 

E em casos mais graves o que fazer?

Embora o soro fisiológico (SF 0,9%) responda bem a higienização de lesões, outras soluções podem ser utilizadas complementarmente para eliminar ou diminuir a proliferação das bactérias, como é o caso da Polihexanida (polihexametileno-biguanida), mais conhecida como PHMB.

Benefícios do PHMB:

  • Não irrita a pele
  • Não desidrata a ferida
  • Não dói ao ser aplicado
  • Mais econômico a médio e longo prazo
  • Favorece o processo de cicatrização
  • Apresenta agentes antimicrobianos
  • Entre outros.

 

(Para mais informações sobre o PHMB clique aqui).

A PHMB vem sendo cada vez mais utilizado e recomendado pelos profissionais da saúde. Estudos mostram que ele apresenta resultados significativamente melhores quando comparado à outras soluções, estando entre a melhor relação custo benefício.

Vale ressaltar que somente a limpeza da ferida não substitui a avaliação e tratamento por profissionais especializados.

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Fontes

  • ATIYEH, B. S.; DIBO, S. A.; HAYEK, S. N. (2009) Wound cleansing, topical antiseptics and wound healing.  International Wound Journal. Vol.6, nº6  420-429. ISSN: 1742-4801. (acessado em 14/05/19).
  • CRAIG, Jean V.; Smyth, Rosalind L. (2004)  Prática Baseada na Evidência. Manual para Enfermeiros. Loures: Lusociência. ISBN: 972-8383-61-4. (acessado em 14/05/19).
  • DUQUE, Helena Paula [et al] (2009)  Úlceras de Pressão – Uma abordagem estratégica. Coimbra: Edições Formasau – Formação e Saúde. ISBN: 978-972-8485-98-6. (acessado em 14/05/19).
  • Mehl AA, Mensor LL, Bastos DF, Pepe C, Brunelli MJ. (2013) Custo-efetividade da solução de polihexametilbiguanida e betaína (Prontosan®) versus solução fisiológica para limpeza de feridas crônicas sob a perspectiva do Sistema de Saúde Suplementar do Brasil. Jornal brasileiro de economia da saúde. (acessado em 14/05/19).
  • Santos,Michelle,Caroline. Efetividade do polihexametileno-biguanida (PHMB) na redução do biofilme em feridas crônicas: revisão sistemática / Michelle Caroline Santos – Curitiba, 2018. (acessado em 14/05/19).
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O que é importante saber sobre a Ozonioterapia?

O ozônio é um gás com ação bactericida (contra bactérias), fungicida (contra fungos) e virucida (contra vírus). O ozônio tem como mecanismo de ação inativar bactérias, vírus, fungos, leveduras e protozoários. Sua administração para uso terapêutico – como é o caso no tratamento de feridas – é de baixo custo e de fácil aplicação.

A Ozonioterapia consiste na administração terapêutica do gás ozônio, gerando aumento da oxigenação tecidual e do metabolismo. As concentrações e modo de aplicação variam de acordo com a afecção a ser tratada, já que a concentração de ozônio medicinal determina o efeito biológico e o modo de aplicação relaciona-se à sua ação no organismo.

Na prática da enfermagem o Cofen, Conselho Federal de Enfermagem, em 26/03/2019, aprovou relatório da Comissão de Ozonioterapia, documento que subsidiará a regulamentação do uso da técnica por enfermeiros.

Na prática médica a Ozonioterapia ainda está caracterizada como procedimento experimental, só podendo ser realizada sob protocolos clínicos, assim estabelecido pela Resolução 2.181 de 20 de abril de 2018, do Conselho Federal de Medicina (CFM).

O uso da Ozonioterapia também está prevista entre as práticas integrativas e complementares do Sistema Única de Saúde (SUS). Desde março de 2018, o tratamento já é oferecido na rede pública de saúde gratuitamente a pacientes de odontologia, neurologia e oncologia, quando há recomendação médica e interesse do paciente.

Com diversos usos na medicina e odontologia, a técnica está em expansão na enfermagem, como terapia complementar capaz de auxiliar na cicatrização de feridas extensas e contribuir para evitar amputações, entre outros usos.

Publicações científicas reconhecem evidência forte do benefício do uso do ozônio, podendo ser uma importante opção no tratamento de feridas, trazendo benefícios aos pacientes portadores. A exemplo de outras técnicas, que também passaram por um processo de desenvolvimento, ainda há recomendação de que continuem sendo desenvolvidos mais estudos que apresentem os resultados do uso do ozônio no tratamento de saúde.

Embora ainda em fase de regulamentação e experimental muitos estudos sugerem que a terapia com ozônio pode ter um papel importante no tratamento de feridas crônicas, não curativas ou isquêmicas.

O uso tópico do ozônio é bastante comum no tratamento de lesões, principalmente de feridas, e tem sido descrito na literatura como tecnologia para melhorar o processo de cicatrização pós-cirúrgica e em casos de controle de infecção.

 

No tratamento de feridas:

  • Inativação de bactérias, vírus, fungos, leveduras e protozoários;
  • Estimulação do metabolismo do oxigênio (aumento na quantidade de oxigênio liberado para os tecidos);
  • Ativação do sistema imunológico.

 

Além do tratamento de feridas, há diversas condições clínicas que podem ser beneficiadas, observada a literatura, pelo uso terapêutico do ozônio, como:

  • Doenças arteriais periféricas, coronarianas, AVC e outros distúrbios circulatórios cerebrais;
  • Alzheimer,
  • Sinusite;
  • Retinopatia;
  • Glaucoma;
  • Distúrbios auditivos de origem vascular;
  • Doenças Ortopédicas;
  • Osteoporose;
  • Hepatites;
  • Herpes simples e Herpes Zoster;
  • Fissuras anais
  • Cicatrização Cirúrgica;
  • Controle de Infecção

Há diferentes métodos de aplicação do ozônio, de acordo com a condição clínica que se pretende tratar. Quando o assunto é a aplicação de ozônio em feridas, alguns dos métodos podem ser utilizados isoladamente ou combinados entre si, buscando potencializar o tratamento (no caso de feridas, comumente são utilizados aqueles de aplicação tópica.

 

Entre as formas de aplicação tópica do ozônio em feridas estão:

  • Água ozonizada
  • Sacos plásticos (também conhecidos com bags)
  • Óleo ozonizado
  • Aplicação de ozônio em baixa pressão por meio de campânulas (vaso de vidro)
  • Cateter de aplicação de ozônio
  • Balneoterapia (Hidroterapia)

 

Água ozonizada

É aplicada diretamente na ferida, sendo indicada para tratamentos de infecções locais, úlceras, micoses, herpes, queimaduras superficiais, lavagem de cavidade intra-operatório, problemas oculares, cicatrizes cirúrgicas (em caso de cicatrização primária ou secundária). É utilizada também para alívio da dor, como desinfetante, anti-inflamatório e em cirurgias orais.

O uso da água ozonizada em feridas diminui o tempo de cicatrização por primeira intenção sem causar irritação.

 

Sacos plásticos (também conhecidos com bags)

É geralmente realizado para feridas em membros inferiores ou superiores, pois a localização do membro facilita a instalação da bag, evitando o escape do gás. Nestas aplicações o saco é colocado no membro afetado e conectado ao gerador de ozônio.

De acordo com as concentrações de ozônio definida na conduta, na aplicação com bag se busca:

  • O efeito limpeza da ferida
  • Estimular a cicatrização e a granulação do tecido
  • Obter um efeito microbicida (bactericida, fungicida e viruscida)
  • Efeito estimulante metabólico e imunomodulatório (confere aumento da resposta orgânica contra determinados microorganismos).

 

Óleo ozonizado

Oferece atividade antimicrobiana, de estimulo à cicatrização, podendo ser utilizados no tratamento de longo prazo de ferimentos em geral, queimaduras, infecções locais como micose de pele e unhas. Além disso o óleo ozonizado aumenta a resposta tecidual proliferativa e adaptativa do leito da lesão.

 

Campânulas

Geralmente utilizado em lesões de decúbito e feridas pós-operatórias em locais de difícil fixação de outro método. Este método associa o uso do ozônio à baixa pressão, visando a melhora da circulação sanguínea, oxigenação do tecido, retirada de camadas necróticas, combate à infecção e estimulação das células epiteliais. Há indicação também para redução da dor e odor de feridas.

 

Cateter

O dispositivo cateter é inserido diretamente no leito da lesão ou em fístulas, levando o gás diretamente.

 

Hidroterapia

Este método além de atuar diretamente no tratamento da lesão, possibilita massagem no local afetado – a partir das bolhas de ar geradas – estimulando a circulação sanguínea local.

 

A principal contraindicação é deficiência da enzima Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD), conhecida como favismo, em função do risco de hemólise.

Em casos de hipertireoidismo descompensado, diabetes mellitus descompensado, hipertensão arterial severa descompensada e anemia grave, é necessário que a estabilização clínica dessas situações seja realizada previamente à aplicação da Ozonioterapia.

 

Quando não utilizado em concentrações terapêuticas adequadas e de modo correto o ozônio pode ser tóxico. Por isso é imprescindível que a Ozonioterapia seja realizada por profissional devidamente capacitado ao seu uso e em ambientes apropriados.

A utilização de qualquer recurso terapêutico no tratamento de feridas deve ser precedida de avaliação de um profissional de saúde – médico ou enfermeiro – devidamente habilitado e capacitado. Somente o profissional de saúde pode definir a conduta mais apropriada ao tratamento de uma lesão (Fale com o Cenfe).

 

É importante ressaltar que a Ozonioterapia pode apresentar desvantagens observado o quadro clínico do paciente e as concentrações utilizadas no tratamento. Isto deve ser discutido com o profissional de saúde.

 

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Referências e Fontes:

  • Oliveira, Juliana Trench Ciampone de. Revisão sistemática de literatura sobre o uso terapêutico do ozônio em feridas. / Juliana Trench Ciampone de Oliveira. – São Paulo, 2007.
  • Ozone therapy: A clinical review. A. M. Elvis and J. S. Ekta.
  • Ozone oil promotes wound healing by increasing the migration of fibroblasts via PI3K/Akt/mTOR signaling pathway.
  • Effectiveness of a Short-Term Treatment of Oxygen-Ozone Therapy into Healing in a Posttraumatic Wound.
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Cofen aprova relatório da Comissão da Ozonioterapia

A Comissão de Ozonioterapia instituída pelo Conselho Federal de Enfermagem apresentou relatório final acerca do assunto. O documento, aprovado na 502ª ROP, será encaminhado para a emissão de parecer do conselheiro Gilvan Brolini.

“A regulamentação do uso da técnica por enfermeiros busca garantir a segurança do paciente e estabelecer marcos normativos, inclusive quanto à certificação dos equipamento de produção de ozônio medicinal devidamente certificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, explica a conselheira Márca Anésia, primeira relatora do tema no Cofen.

A Ozonioterapia consiste na administração terapêutica de ozônio, gerando aumento da oxigenação tecidual e do metabolismo. As concentrações e modo de aplicação variam de acordo com a afecção a ser tratada, já que a concentração de ozônio medicinal determina o efeito biológico e o modo de aplicação relaciona-se à sua ação no organismo.

Com diversos usos na Medicina e Odontologia, a técnica está em expansão na Enfermagem, como terapia complementar capaz de auxiliar na cicatrização de feridas extensas e contribuir para evitar amputações, entre outros usos.

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Fonte: Ascom – Cofen

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O uso da Polihexanida PHMB no tratamento de feridas

* Artigo de Revisão.

A polihexanida (PHMB) é a designação dada à hidrocloro-polihexametilenobiguanida, substância dotada de ação antibacteriana, antiamobiana e de um mecanismo de ação que se baseia em propriedades fortemente alcalinas.

Na superfície da molécula distribuem-se de forma alternada cargas elétricas negativas e positivas, que interagem com as cargas elétricas das moléculas ácidas dos fosfolípidos presentes na parede celular bacteriana. Trata-se de um mecanismo inespecífico de interação electrostática que, ao influenciar a estrutura e distribuição da carga eléctrica da parede celular bacteriana, perturba o sistema biológico tornando a bactéria incapaz de manter as suas funções.

É considerada uma solução eficaz na limpeza e desinfeção de feridas, preferencialmente adequada nas feridas contaminadas, colonizadas e infetadas.

Atualmente existem muitas referências na literatura sobre as vantagens da utilização da polihexanida no tratamento de feridas, entre elas:

  • Não provoca irritabilidade cutânea, desconhecendo-se desenvolvimento de alergias;
  • Não se verifica maceração dos tecidos adjacentes;
  • Não provoca desidratação do leito da ferida;
  • Indolor na aplicação e/ou remoção; elimina odores;
  • Elevada capacidade tensioativa; não é absorvido via sistêmica;
  • Não interfere com o processo de granulação, proporcionando condições favoráveis ao processo de cicatrização;
  • Compatível com outros produtos ao nível do tratamento de feridas em ambiente úmido;
  • Eficaz na eliminação de biofilmes;
  • A solução pode ser aquecida antes de ser aplicada e tem uma validade de oito semanas depois de aberta

A polihexanida é um antisséptico que combina um largo espetro antimicrobiano com baixa toxicidade, alta compatibilidade com tecido, sem absorção sistêmica e boa aplicabilidade

Para acessar o Artigo de Revisão, clique.

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Referência:

– Eduardo José Ferreira dos Santos*
– Margarida Alexandra Nunes Carramanho Gomes Martins Moreira da Silva**

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Aplicação da Bota de Unna em Úlcera Venosa

Por Prof. Edmundo Martins Junior.

Cuidar de pessoas com lesões cutâneas causadas por doenças do sistema venolinfático é um desafio. Inúmeras publicações tratam da importância das terapias de compressão/contenção, contudo poucos estudos descrevem a técnica de colocação da Bota de Unna e a importância dos diferentes materiais utilizados na fabricação destes produtos, contribuindo para subutilização desta tecnologia. A utilização de manuais é uma das estratégias para a orientação de profissionais.

Em sua dissertação apresentada à Universidade Federal de São Paulo, para obtenção do título de Mestre
Profissional em Ciências o professor Edmundo Martins Junior, desenvolveu um amplo e completo estudo buscando desenvolver e validar um manual sobre a técnica de aplicação da Bota de Unna em pacientes com úlceras venosas, para profissionais de saúde.

Para baixar a Tese de Mestrado do professor Eduardo Martins Junior, clique AQUI.

Assista a seguir vídeo em que o professor apresenta o processo e a técnica para aplicação da Bota de Unna.

 

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A Ozonioterapia no Tratamento de Feridas

A Ozonioterapia é prática integrativa e complementar de baixo custo, segurança comprovada e reconhecida, que utiliza a aplicação de uma mistura dos gases oxigênio e ozônio, por diversas vias de administração, com finalidade terapêutica, já utilizada em vários países como Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Rússia, Cuba, China, entre outros, há décadas.

Há algum tempo, o potencial terapêutico do ozônio ganhou muita atenção através da sua forte capacidade de induzir o estresse oxidativo controlado e moderado quando administrado em doses terapêuticas precisas. A molécula de ozônio é molécula biológica, presente na natureza e produzida pelo organismo sendo que o ozônio medicinal (sempre uma mistura de ozônio e oxigênio), nos seus diversos mecanismos de ação, representa um estimulo que contribui para a melhora de diversas doenças, uma vez que pode ajudar a recuperar de forma natural a capacidade funcional do organismo humano e animal.

Alguns setores de saúde adotam regularmente esta prática em seus protocolos de atendimento, como a odontologia, a neurologia e a oncologia, dentre outras.

A ozonoterapia tópica se apresenta como alternativa para auxílio no tratamento de lesões e feridas complexas, a exemplo do pé em diabéticos, pois, além de seu poder antimicrobiano, estimula a formação de novos vasos na região afetada, aumentando a irrigação local, acelerando a formação de tecido de granulação e diminuindo o tempo de cicatrização, podendo, ainda, ser uma forma de induzir a adaptação ao estresse oxidativo.

Diferentes publicações e estudos demonstraram que a ozonoterapia associada à terapia convencional favorece a cicatrização de lesões e feridas complexas, como é o caso por exemplo de úlcera em pé diabético, isso porque apresenta fortes propriedades antissépticas, causa oxigenação local de per se e, devido à neovascularização induzida, acelera a reparação tissular.

Leia também: “O que é importante saber sobre a Ozonioterapia“. Clique!

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O CENFE realiza o serviço de Ozonioterapia. Para agendar consulta ou mais informações, ligue (61) 3036-6594.

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Cartilha de Tratamento de Queimaduras

Por: Ministério da Saúde.

No Brasil, as queimaduras representam um agravo significativo à saúde pública. Algumas pesquisas apontam que, entre os casos de queimaduras notificados no País, a maior parte ocorre nas residências das vítimas e quase a metade das ocorrências envolve a participação de crianças. Entre as queimaduras mais comuns, tendo as crianças como vítimas, estão as decorrentes de escaldamentos (manipulação de líquidos quentes, como água fervente, pela curiosidade característica da idade) e as que ocorrem em casos de violência doméstica. Por sua vez, entre os adultos do sexo masculino, as queimaduras mais frequentes ocorrem em situações de trabalho.

Os idosos também compreendem um grupo de risco alto para queimaduras devido à sua menor capacidade de reação e às limitações físicas peculiares à sua idade avançada. Já para as mulheres adultas, os casos mais frequentes de queimaduras estão relacionados às várias situações domésticas (como cozimento de alimentos, riscos diversos na cozinha, acidentes com botijão de gás etc.) e, eventualmente, até as tentativas de autoextermínio (suicídio).

Para saber mais sobre a cartilha Clique.

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Fitoterapia: Indicação à cicatrização de feridas

A fitoterapia é o ramo da medicina que utiliza plantas medicinais e fitoterápicos para o tratamento das enfermidades, conforme definido na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares – PNPIC, no Sistema Único de Saúde (SUS).

A fitoterapia é uma terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal. O uso de plantas medicinais na arte de curar é uma forma de tratamento de origens muito antigas, relacionada aos primórdios da medicina e fundamentada no acúmulo de informações por sucessivas gerações.

Entre as plantas medicinais indicadas para cicatrização de feridas, com comprovadas ações, se destacam:

  • Anacardium occidentale L.(cajueiro)
  • Caesalpinia ferrea Mart. (pau-ferro)
  • Casearia sylvestris Sw. (guaçatonga)
  • Schinus terebinthifolia Raddi (aroeira)
  • Stryphnodendrom adstrigens (Mart.) Coville (barbatimão)
  • Calendula officinalis L. (calêndula)
  • Polygonum punctatum Elliott (erva-de-bicho)
  • Coronopu didymus (L.) Smith (mastruço)
  • Aloe Vera (L.) (babosa)
  • Helianthus annuus (girassol).

Podem ser utilizadas por meio de muitas formas farmacêuticas, disponibilizadas na Fitoterapia, tais como: preparações extemporâneas (infusão e decocção – chamados popularmente de chás), tinturas, gel, creme, pomada, óleo.

A Resolução RDC n10, de 9 de março de 2010 apresenta uma lista de plantas medicinais, com informações sobre nome científico, popular, indicação, modo de uso, contraindicações, interações medicamentosas e efeitos adversos para preparações extemporâneas.

O municipio de Betim (MG), de Londrina (PR) e o Formulário Nacional de Fitoterápicos, apresentam alguns protocolos de fitoterapia de enfermagem com formulações para o tratamento de feridas. Conheça:

Creme de Barbatimão 10% + Óleo de Girassol – 60g

  • Indicação: Cicatrização de feridas em fase de granulação e escoriações.
  • Modo de usar: aplicar no local afetado 2 a 3 vezes ao dia, após higienização com solução fisiológica. Alerta quanto ao uso em idoso, pois pode provocar o aparecimento de fibrina.

Creme de Calêndula 5% + Barbatimão 5% – 30 e 60g

  • Indicação: Cicatrização de feridas que apresentem pequeno processo inflamatório e inicio de fase de  granulação; úlceras de decúbito fase II (ferida); feridas com hiperceratose.
  • Modo de usar: aplicar no local afetado 2 a 3 vezes ao dia, após higienização com solução fisiológica

Óleo de Girassol – 100ml

  • Indicação: Úlceras abertas com ou sem inflamação, cobertura primária em curativos (embeber a gaze)
  • Modo de usar: Aplicar na lesão, após assepsia, uma a duas vezes ao dia, ou a cada troca de curativo.

Creme de Calêndula a 10%:

  • Indicação: Dermatites de contato, inclusive dermatite de fralda ou amoniacal; dermatites eczematosas; feridas com processo inflamatório intenso; feridas em fase proliferativa com pouco ou nenhum exsudato; fístula extra bucal com secreção, processos inflamatórios na face (impetigo nasal, ressecamento perilabial, eczemas, dermatites, abrasão por trauma)
  • Modo de uso: aplicar no local afetado 2 a 3 vezes ao dia após higienização com solução fisiológica.

As plantas medicinais podem ser uma alternativa de grande relevância para o processo de cicatrização de feridas, que começam a fazer parte da atenção à saúde brasileira, considerando que seu uso seja validado por estudos para verificar seu potencial cicatrizante, comprovação clínica, custos e benefícios, e a constante atualização acerca das publicações realizadas.

Antes de iniciar qualquer tratamento, entretanto, é recomendado procurar um médico ou um profissional da saúde para auxiliar na definição da melhor conduta para o tratamento e acompanhar a evolução.


Fontes:

  • Telesaúde Santa Catarina

Bibliografia recomendada

  1. Piriz MA, et al. Plantas medicinais no processo de cicatrização de feridas: uma revisão de literatura.Rev. bras. plantas med. [online]. 2014; 16 (3): 628-636. ISSN 1516-0572.  Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1983-084X/12_178. Acesso em: 29 jan 2015.
  2. Brasil. Resolução RDC nº 10, 9 de março de 2010.  Acesso em: 29 jan 2015.
  3. Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopéia Brasileira / Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2011. 126p. Acesso em: 29 jan 2015.
  4. SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE BETIM. DIRETORIA DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA. Protocolo de enfermagem de fitoterapia. Acesso em: 29 jan 2015.
  5. LONDRINA. Prefeitura do Município. Autarquia Municipal de Saúde. Fitoterapia: protocolo/. Prefeitura do Município – 3. ed. – Londrina, Pr. 2012. 99. Acesso em: 29 jan 2015.
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Tratamento de Feridas Infectadas

Por: Revista de Enfermagem.

O tratamento de feridas nas últimas décadas tem sido palco de inúmeros progressos, abordagens e sobretudo novos materiais. Este artigo surge na sequência da utilização de um produto inovador – a polihexanida – que permitiu obter resultados extremamente encorajadores e que levaram à sua recomendação no tratamento de feridas.

A polihexanida influencia muito pouco os lípidos neutros presentes nas membranas celulares humanas, pelo que, não afeta os tecidos e possui a capacidade de especificidade de ação eliminando organismos de forma seletiva, sendo considerada uma solução eficaz na limpeza e desinfeção de feridas, preferencialmente adequada nas feridas contaminadas, colonizadas e infetadas.

Existem várias referências na literatura sobre as vantagens da utilização da polihexanida:

  • Não provoca irritabilidade cutânea, desconhecendo-se desenvolvimento de alergias;
  • Não se verifica maceração dos tecidos adjacentes;
  • Não provoca desidratação do leito da ferida;
  • Elimina odores;
  • Não interfere com o processo de granulação, proporcionando condições favoráveis ao processo de cicatrização;
  • Compatível com outros produtos ao nível do tratamento de feridas em ambiente úmido;
  • Eficaz na eliminação de biofilmes.

Esta revisão de literatura tem a intenção de reunir evidências científicas acerca da eficácia da polihexanida no tratamento de feridas colonizadas/infectadas.

Para acessar o estudo completo, Clique.

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